A song for you

I watch the movie while you sleep and dream
your unconcious moves announces stories to me
in the morning in bed I’m sure I’ll hear ‘em

I want to play the piano and you have the talent
to rythm and music and shit
these days I thought how our baby would be
ugly or pretty or maybe both of it
“daddy and mommy and genius girl”
or maybe Mufasa
the little Mumu

It’s been six months we started all this
and day after day is better than then
I learned to love you in new kinds of ways
you don’t make promises and seize the day
but you like to kiss me like it’s our first date
this poem sounds like a song in my head
I’m writing it down before it goes fast
now you can grab a guitar and sing it and play
I think I’ll let you call me your babe

I love how you think I am an artist
cause that’s just what I’ve dreamt to be
yeah, I’m still trying

No need to say love you
but I’ll tell you anyways
I love you like chocolate from the very first day

I’m serious when I say I’ll never get tired
Of you and your lips your belly and feet
your bad jokes and trance playlist
So you better don’t get tired of me so soon

I love you now and I’ll keep loving you

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Inquieta

Meu amor quis um tempo de mim e eu não soube dar. Eu pisei o pé na água e meu cérebro gelou, eu gritei quando você me pegou, porque ainda tenho medo da água gelada, e você ria e seu riso murchou quando viu que eu gritava de desespero, com uma cara feia. Não foi de propósito, ainda estou aprendendo a me livrar dos pequenos medos. Não podia saber também que te mandar 100 mensagens sequenciais o faria querer se livrar de mim por longos instantes, talvez dias, talvez de vez. Eu não quero, por favor, não faz isso, eu paro de te encher o saco se você prometer que não vai me desejar longe. Você diz que nunca vai desejar isso, mas eu sei que é mentira. Sim, fico igual uma criança que não ganhou doce quando penso que meu amor pode não mais me amar. Te mandei as músicas e você não ouviu, aposto. Para com isso, amor. Não paro e continuo amando de um jeito invasivo e ainda não aprendi a amar reto, ainda amo torto, para todos os lados e isso deve ser sufocante. Eu não iria gostar de ser minha amante, mandaria eu mesma pastar, lá na Lua, onde nem tem o que pastar. É por isso que o amo, que seu olho ainda diz que vê graça nesse meu jeito. Digo obrigada por me deixar ficar mais tempo. Diz eu é que tenho sorte. Digo que besteira sua. Diz vamos parar de discutir. Digo que ainda tenho algo por dizer. Diz nada e me beija. Fim.

Poema inspirado pela peça “A casa dos felizes”

eu era feliz sem procurar o Deus
até que ele me invadiu num sonho
e sussurrou no meu ouvido
o que era poder
pr’eu nunca mais esquecer

então durante vários anos
acordada ou dormindo
preferia evitá-lo
e assim era feliz
muito mel me continha
o gosto do mundo era doce

eu via as pessoas possuídas
de maus espíritos
cercadas de poderosas amizades
encarnadas nos malditos modos cristãos
andarem por ruas sujas
com sapatos de cristal
nada lhes fazia mal
eram algo aquém da terra
que aqui habitavam

nunca entendi essa gente…

 

e meu corpo cresceu antes da minha cabeça acelerar.

altura: a mesma
quadris: mais largos
estrias
celulites
sinal de bunda!
o doce mel já voava no vento
olhos, lábios, cachos, tudo doce!
peitos

me gritavam na rua sem me conhecer:
retração imediata para me proteger!
não gosto de andar na rua só!
por que, menina?! nunca foi disso!
porque não gosto, mãe!

acho que ela entendeu, então

o Deus me invadiu de novo. dessa vez acordada.
a cama estava tomada.

ainda assim o neguei
enquanto involuntariamente procurei
na boca de outras amigas
e dos meninos gentis
brincadeiras de aposta:
se fulana perder, tem que beijar ciclano!

perdi. algumas vezes, nunca tão sem propósito

Ó, DEUS TESÃO!

nas novelas,
nas traduções de letras de rock,
nas coreografias de funk,
nos filmes,
no flerte entre os apresentadores de TV e funcionários da escola,
na praça,
e até no quarto de velhos casais.

pensavam que por ser menina
eu não entendia as piadas
lembro de umas que eu não achava graça
mas guardava pra contar depois
como que fosse sabida das coisas
e como você sabe isso?
sabendo, ué!
até parece!
ha ha ha ha ha!

passado o desejo louco de se tocar
descobri o Deus Tesão em outras coisas chamadas poemas

são tão sedutores!

e caí embriagada no mundo da poesia
de onde nunca mais saí,
que mal não me pergunte

 

e isso
foi meu próprio nascimento
de onde me pari um ser
que desabrocha todo dia
deságua por dentro em silêncio
até que geme de prazer
num beijo entorpecente
no meio de um batuque de pandeiro
em pleno fim de carnaval,
no brilho à luz do dia e da noite
sem um gole de cachaça
ou de risonol

enquanto isso vão todos bem
sim, senhor!
remédios em ordem
corpos sem pulsação.

tudo perfeito para um mundo ao avesso.

quanto tempo resta para acabarem com o desejo?
na Terra, o Deus Tesão chora.

na casa dos felizes tudo vai bem
com saudade de amanhã
vamos bem

agora vem dançar em silêncio
e no escuro,
que já mandaram cortar nossas luzes

(há ainda um pouco de voz!…)

 

 

Vazio de barro

Acho que não sei mais escrever, não sei se é o vazio que está se fechando aos poucos ou se sou eu que não o cavo mais, não o olho, não o sinto, não o procuro. O quintal do meu corpo se expandiu, foi do bairro pra cidade, da cidade para o mundo, sem ter pego um único avião. Minha casa está em algum lugar que ainda não encontrei. Tenho um teto, mas não o teto que dá conta do meu tamanho, que dá conta da roda que faço à minha volta com meus afetos, meus quereres, meus cuidados. Tenho procurado sair de casa, mas não olho mais para os classificados, estou movendo os botões, as varetas, as caixas das gavetas, tudo de cima pra baixo, pra ver se algo se mexe, pra ver se algo acontece enfim. Deixei de lado algumas de minhas responsabilidades e dizem que não é por aí que se constrói uma vida adulta. Deve ser verdade, mas quero saber se existe alguém que aprendeu a ser adulto e deixou de ser criança em suas fragilidades. Minha agenda esteve cheia durante muito tempo, de repente a vi invadida por noites na cama, me vi envolvida num novo calor, num novo abrigo, que cabe em qualquer lugar, qualquer canto a qualquer hora, às vezes quando não estamos perto, é só colocar os fones de ouvido. Aprendi a agradecer pelas coisas boas, se isso é resquício da ética cristã na minha conduta, talvez, mas é também efeito dos meus sinais sendo atendidos, dos mais quietos aos mais barulhentos, da minha inquietude encontrando lugar no movimento das ruas, dos meus olhos livres de lágrimas de dor. Obrigada, sim, ao caminho torto que as coisas tem tomado, que me fez ver o teto mais alto, menos sufocante, deixando espaço para as janelas abertas pro que se esconde lá longe. Acho que ainda não sei escrever, e tudo bem se a editora não der uma resposta positiva para os meus envios. A poesia sabe conviver com o não, é de onde ela brota, é de onde eu brotei e isso nunca me fez murchar. Essa quinta feira de férias me fez olhar pro espelho e ver através do que me tornei, perceber que os cacos se colaram e nem faz tanto tempo que caí feito um jarro de barro da mesa mais alta. Espatifada no chão. Cá estou, escrevendo no branco, sem sentir o vazio, sem o peso, sem a agonia, indo pra algum lugar que não sei dizer quais cores tem, se é clima morno ou frio, se chove acredito que sim, que nenhuma terra seca recebe gente de fora. Agora me vejo de fora, porque estou olhando distante, entende? De lado, de cima, de costas, longe daqui. Minha vista laranja no azul disso tudo continua vibrante, e o branco da tela não mais me assusta, me esparramo e tomo espaço antes de pensar. Se me molhar, também estou molhando, água pra todo canto, não existe mais espaço pro vazio.
E se insistir, eu não deixo.

Um samba assim

Um samba assim
sem pretensão de ser cantado
toca na minha cabeça
penso em você rodando
em volta de si mesma
em volta do seu mundo
uma revolução solar
você me atravessa num dia de nuvens
com desenhos loucos
que me distraem
vi seus cachos pintados no céu
não, não digas nada
se for supor que me entende
se não for me olhando
pode ir adiante
no seu ritmo
na sua forma de ser
não tente compreender
o som do silêncio
que fez passar por mim
a tempestade colorida
que fez brilhar cantos secos
em todo o corpo
fez arrepiar o pelo da nuca
fez brotar um canto no meio do peito
fez vibrar as minhas pernas
paralisadas
num estalo pude me ver caminhar
sem procurar a paz
e assim segui sem paz num samba
com pés tocando o chão

meia raíz
meia andança…

Menos mais

não espero vir a poesia que descreva o que me perpassa, porque é curta a distância dos meus dedos para o branco onde deságuo. ainda não encontrei as músicas que falam sobre isso. bem que eu gostaria de ter esse conforto a essas horas. ou antes desses momentos em que a insegurança bate e te paralisa de fazer seja lá o que for. gostaria de controlar essa dor que não é concreta mas que me pesa feito pedras, que de repente aparecem bem na minha coluna, como quem me diz que é hora de deitar. como quem me diz pra pisar com o pé pra trás, pra ir com cuidado e não mergulhar de cabeça. eu odeio ter que pisar em ovos e vez ou outra me vem à mente que não tem chão algum concreto em nenhum tipo de afeto. e que tudo é lama, tudo é um oceano imenso e é só anoitecer pra perder a direção. me desculpa, gostaria de estar sempre mergulhando entre golfinhos, mas o tempo não é só feito de luz. e eu gasto toda a minha energia contigo sem economias até perceber que sou sozinha. obrigada por me lembrar, te digo mentalmente, mas não é um agradecimento. é uma boca fechada que diz obrigada por me lembrar, pra dizer menos do que sinto, ou pra não dizer o que sinto do tamanho que sinto. não sei se você entende. cada vez que você me lembra que cada um tem sua vida, me resguardo um pouco mais no próximo mergulho. me vem no peito a dor da falta de ar, meu deus, eu esqueço de respirar, esqueço de comer, esqueço de dormir, esqueço de mim. a coisa mais sensata seria jamais ter se molhado, mas isso é pedir muito pra quem desde criança brinca com o fogo. me molhei sem aprender a nadar antes, minha observação é errante, não sei ao certo quantas voltas preciso dar antes que me afogue. a sensação às vezes é de estar contra a corrente, num caminho que me joga mais pra fora do que põe de encontro onde quero ir.

assim sigo aprendendo de dois lados: falar alto o que brota na espinha de um lado, e do outro, aprendo o silêncio, onde me fecho, cada vez dizendo menos do que passa por dentro de mim.

Rev s olução

o problema é que:
a solução não está ao alcance do teu braço
não está no mesmo lugar que o copo
que o pote de açúcar
que o ônibus que tu acena e pára ao teus pés na calçada

a solução
tão reivindicada
não está na bula do remédio da farmácia
no manual do computador
no edital de um concurso
ou nos conselhos de livro de autoajuda

a solução pro problema que bate à tua porta
é procurada há anos
há décadas
diria até mais
alguns mil anos
de exploração que pisa na vida
de homens e mulheres
de cabeças pensantes e cansadas
que de geração em geração ensinam aos teus filhos
(nós)
que tem que correr atrás
(como se isso fosse solução)
porque a gente aprende que correndo atrás
a gente encontra solução

mas a solução que tu busca é solução do que?

não tem remédio
não tem juízo
não tem razão

e a gente continua procurando uma solução que está na beira da porta
pronta pra ser empurrada por um carteiro desconhecido

(não há!)

escrevo para despertar o desespero
que já está instaurado
(talvez tu não tenha sentido…)

a solução não surge do nada
é preciso torcer o corpo
fora da linha vertical que te guia
pra além do raciocínio diário dos cálculos
tecendo mais do que te cobra a rotina

abra o olho
tuas dores conhecem o todo
da raiz ao sintoma
que perpassam o mundo inteiro

não aterrisse na ideia fixa
não há solução imediata

perceba o que há por detrás da sucessão de suicídios
a doença está no capital
e solução não há:

precisa ser construída